Atividades realizadas na fazenda:
Pecuária intensiva com cria, recria e engorda.
Produção de Reprodutores Avaliados: Nelore, Montana e Senepol.
Ferramentas:
Anteriormente, a propriedade era usada apenas para recria e engorda de bois. A partir de 1987, passa a explorar a cria de animais da raça Nelore Zebuíno, de origem indiana, iniciando também, um programa de inseminação com o cruzamento das matrizes Nelore com Simental ou Pardo Suiço. Os únicos touros que suportaram as condições locais foram exemplares de linhagens de corte Pardo-Suíço.
Rebanho da San Francisco chegou a ser integralmente formado por matrizes meio sangue de nelore com pardo e nelore com simental. Em 1993, os Coelhos foram procurados por Mr. Lee da Leachman Cattle Company, que vieram ao Brasil em busca de parceiros para formar o Composto Tropical.
Empolgada, mas ainda reticente, a família foi conhecer in loco o trabalho da Leachman, em Montana, Estados Unidos, e também o Clay Center, instituto americano de pesquisa em genética bovina, que domina a tecnologia de formação de gado composto. Com isso, os Coelhos se convenceram de que tal categoria de bovinos era a solução para as dificuldades que enfrentavam no manejo e a continuidade do cruzamento industrial, além de ver na parceria uma atraente oportunidade de tecnificar sua criação, com o uso de ferramentas modernas de Avaliação Genética para orientar a Seleção do gado e os acasalamentos.
As técnicas de manutenção da heterose nos cruzamentos, com a manutenção das fêmeas no Rebanho, o Sistema NABC - Nelore Adaptado Britânico Continental foi o que possibilitou a criação desta nova alternativa o BOVINO COMPOSTO, para o mercado brasileiro.
Em 1994, eles se associaram a CFM - Leachman e passaram a inseminar suas matrizes meio-sangue com Tuli, Belmont Red e Senangus, juntando assim o sangue dessas raças adaptadas ao do zebuíno (Nelore) e do continental (Simental e Pardo-Suiço) preexistentes. A porção Britânica que faltava de gado britânico veio na forma de Red Angus. A contribuição mais importante foi da Raça Senepol, que adicionou adaptação e padronizou a pelagem do rebanho em formação. Também pela adaptação foram usadas Bonsmara e Caracu. Mais tarde, o rebanho também recebeu sangue de outras raças adaptadas, como Bonsmara, Romo Sinuano e Caracú.
Segundo o veterinário Dr. Dulcimar Menezes, gerente de pecuária da propriedade, a fase de testes na formação do composto na região já foi finalizada. Ainda que restem alguns ajustes quanto à formação ideal do composto para o ambiente pantaneiro, Roberto Coelho, um dos atuais proprietários, acredita que o objetivo principal já foi alcançado. Os exemplares do Montana são postos a pastar nas áreas do Pantanal e, segundo ele, sem problemas de adaptação. "Os animais apresentam carrapatos, mas não precisam ser submetidos a controle e nenhum morreu de tristeza até agora, demonstrando sua rusticidade", orgulha-se o criador. No confinamento, engordam mais rápido e no abate, carcaça com boa espessura de gordura e carne macia.
Informações sobre o manejo
Há quatro anos, são utilizados tourinhos Montana em cruzamento em outra das propriedades da empresa que administra a Terra Preta, fazenda no município de Corumbá, MS, onde são mantidos em pastagem natural. Não houve queda de taxa de fertilidade, nem problemas de parto, pois a média de peso ao nascimento foi de 30 quilos, animais leves, mas que ganham peso rapidamente. A taxa de mortalidade é zero, não havendo necessidade de se fazer suplementação alimentar na seca nem controlar ectoparasitas mais de cinco vezes ao ano, como nas raças européias.
Os animais que fazem parte da formação do composto são avaliados desde o nascimento. "Não queremos bezerros que nasçam pesados, pois buscamos vacas Montana e porte médio", explica Menezes.
Na época da desmama, que ocorre aos sete meses de vida, em média, são pesados novamente e feitas seleções por pelagem, chifre, aprumos e conformidade do aparelho reprodutivo. Permanecem no programa, somente, os animais mochos, de pêlos avermelhados. Com um ano de idade, os exemplares passam por exame mais amplo, onde são verificados diversos parâmetros de características raciais e de produtividade, fechando a Avaliação Genética – DEP’S (Diferença Esperada de Progênies).
Aos 16 meses, todos os animais são submetidos à avaliação reprodutiva, é feito um exame andrológico completo, com coleta de sêmen e análise laboratorial. Passando por todos estes crivos os Reprodutores Montana receberão a marca M do programa e o CEIP - Certificado Especial de Identificação e Produção.
Inseminação artificial é utilizada em 100% das vacas. Para engorda dos animais, são utilizados os semi-confinamento (suplementação de ração fornecida no pasto), e o confinamento total, onde silagem de sorgo e ração balanceada é fornecida, por 90 dias, para finalizar a engorda. Todos os novilhos produzidos vêm obtendo classificação precoce.
Outras técnicas como rodízio e adubação de pastagens são aplicadas num manejo que conserva as pastagens com alta produtividade, sem degradação.