Aproveitando a oportunidade de já estar bem próximo a cabeceira do Pantanal, a convite de Elisabeth Coelho - proprietária da Fazenda San Francisco, fui visitar a região.
A Fazenda San Francisco está situada na margem do Rio Miranda, ao final da Serra da Bodoquena.
O espaço da fazenda esta dividido entre a agricultura , a pecuária e o turismo ecológico nas reservas florestais, campos e matas preservadas. No local há Pousada e pode-se optar por diversos passeios no pantanal do Rio Miranda.
Agradável surpresa ao chegar nessa fazenda! Saindo da estrada, já no interior da propriedade em direção a recepção, pude ficar encantado com aquilo que eu avistava: uma verdadeira diversidade de flora e fauna nativas. Capivaras, Cervos do Pantanal, inúmeros pássaros, a vegetação, o começo do pântano, tudo era de encher os olhos!
Fui recebido gentilmente por Elisabeth Coelho e Andréa, que logo indicaram meu quarto (bem aconchegante e com ar-condicionado) e passaram as informações de como a fazenda funciona como atrativo para visitantes e turistas.
Nessa época do ano, a maior parte do público visitante dessa região se compõe de grupos da 3ª idade e estrangeiros. E foi o que avistei por lá. Além de alguns turistas de outros estados, em sua maioria de São Paulo, grupos de Japoneses que iriam chegar exclusivamente para ver as belezas de nosso Pantanal.
Ainda que com tempo corrido, eles iriam aproveitar todos os passeios e admirar todas as belezas lá existentes.
A Fazenda oferece passeios como Safári Fotografico, Trilha do Carandá, Focagem Noturna de Animais Silvestres, Caminhada na Trilha da Vazante, Visita ao Mirante, Cavalgada no Cerrado e Pantanal, Canoagem no Pantanal e Tirar leite da vaca, sendo que esses últimos três atrativos eu deixei para uma próxima oportunidade, devido ao pouco tempo que eu dispunha.
Possui restaurante, bar, piscina, redário e também um auditório com capacidade para até 40 pessoas onde ministramos palestras sobre diversos temas, como: A onça-pintada, o Pantanal e sua biodiversidade, Cultivo de Arroz, Criação e Seleção de Reprodutores e atividades de estudo do meio com crianças.
A voltagem na fazenda é 110 v.
Na sua infra-estrutura, toda voltada a atender bem ao visitante, podemos contar com o Mini-museu, havia quadros com fotos e peixes em aquários e cobras em recipientes, para podermos ver e conhecer melhor.
Além disso, dispõe Cantina Pantaneira com capacidade a servir até100 pessoas/dia e Repouso Boiadeiro, onde podemos relaxar e descansar um pouco.
Como eu havia chegado no final da tarde, foi o tempo de descarregar as malas, e preparar meu equipamento para registrar um lindo pôr do sol sentindo o cheiro da natureza.
Como o tempo lá engana, fui avisado que a noite fazia frio e então levei um agasalho, mas certo de que não iria usá-lo. Engano meu! Além da blusa, que logo vesti, os guias nos deram cobertores e ainda óculos para proteger os olhos dos insetos que possivelmente poderiam esbarrar em nossos olhos.
Um passeio único e que eu realmente recomendo, tanto que fui por duas vezes, pois além de estar em contato direto com a natureza ainda não explorada e danificada pelo homem, uma excelente oportunidade de, com toda segurança, estarmos a apenas alguns metros desses animais.
Finalizando a noite, sentávamos nas mesas rústicas e acomodadas ao lado da recepção, para conversarmos , trocarmos idéias sobre o passeio e conhecermos algumas particularidades da vida animal na região. Em seguida, nos recolhíamos para os quartos, onde, com todo o conforto, podíamos nos preparar para novas aventuras. Elisabeth soube conciliar muito bem Ecoturismo com Agropecuária.
Na San Francisco, além dos espaços reservados ao Ecoturismo, que representam uma “pequena” parte da fazenda, existem hectares e hectares de plantações de arroz, que podemos avistar nos passeios durante o dia.
É um passeio incrível que termina com uma agradável caminhada suspensa em mata ciliar. Durante todos os passeios há necessidade de acompanhamento dos guias pantaneiros que,além de explicar em detalhes os hábitos e costumes da vida dos habitantes da região, nos contam curiosidades a respeito da vida no pantanal.
Pude observar tucanos, araras, garças, cegonhas, cervos do pantanal e gaviões nessa caminhada e pegadas de jaguatirica. Ótimo sinal, afinal, na noite anterior já tinha visto e fotografado uma e quem sabe não conseguiria de novo ver alguma.
Fauna e flora são de uma beleza e diversidade impressionante.
A bordo da Chalana, para onde somos levados no carro, mesmo sendo muito perto da sede da fazenda, podemos nos servir de bebidas se sentirmos necessidade, pois o calor no Pantanal é muito forte.
Além dos muitos jacarés que vinham rodear a Chalana, paramos um pouco nesse rio para ver a vegetação e tentar pescar piranhas. Poucos conseguiram e a sorte dos principiantes do passeio, os japoneses, falou mais alto. Um japonês conseguiu pescar uma piranha, que por sinal levou consigo para mandar preparar para o seu jantar. Afinal, para eles, tudo isso é novidade e lindo de se ver.
Outras piranhas que os guias conseguiram pescar serviram como uma brincadeira para atrair as aves e jacarés que vinham exatamente na direção onde as piranhas eram arremessadas. Um espetáculo preparado pela natureza!
A seguir uma brincadeira com os jacarés, que só pode ser feita pelos guias, pois conhecem muito bem os hábitos desses animais. Colocavam a piranha na água e inúmeros deles vinham aos nossos pés atrás de sua comida. Maravilhoso ver esses animais de muito perto.
Conheci muitas características desses animais, pelo que os guias diziam.
Mal cheguei do passeio da Chalana, que dura em média 2 horas, foi servido um delicioso café da tarde e pude apreciar ainda mais os encantos desse lugar. Particularmente, eu adoro o contato direto com a natureza.Os papagaios faziam companhia aos grupos e aproveitavam para “roubar” nossa atenção e comida.
Na área da recepção, há vários quadros com fotos explicativas e históricas da fazenda, peixes em aquários e cobras em recipientes, para podermos ver e conhece-los melhor.
Anoiteceu e já estava na hora da focagem noturna. Lógico que eu não iria perder isso e lá estava eu com minha máquina. Avistamos mais animais e dessa vez, duas jaguatiricas, mas que rapidamente se esconderam ao perceberem que estavam sendo observadas, inclusive pelo espanto dos japoneses que, entusiasmados fizeram barulho.
Para frustração das pessoas que fizeram a Focagem Noturna, é extremamente difícil obter fotos boas com a baixa luminosidade e velocidade com que os bichos aparecem e desaparecem. Infelizmente somente máquinas profissionais, uma dose de boa sorte e um pouco de luz que os guias utilizam para mostrar esses animais é que conseguimos registrar esses momentos.
A fazenda oferece ainda pescarias, canoagem e cavalgadas, que não pude participar por absoluta falta de tempo, deixando esses passeios para uma outra oportunidade .
A caminho de casa, pude ter a certeza de carregar comigo lindas lembranças, deixando um paraíso para trás.