VoltarTucano-toco temperatura corporal - Pousada e Passeio no Pantanal


Tucano-toco temperatura corporal - Pousada e Passeio no Pantanal

Tucano-toco apresenta 56 cm de comprimento e pesa cerca de 540 gramas, sendo o maior de todos os tucanos.

Ave que se alimenta de insetos, lagartos, ovos, filhotes de outras aves e de frutos.

Uma equipa de investigadores brasileiros e canadianos descobriu que o tucano utiliza o seu longo bico como um radiador para regular a temperatura do corpo, segundo um estudo hoje publicado pela revista Science.

"O bico dos tucanos possui uma ampla área superficial, não tem isolamento térmico e é vascularizado, ou seja atende a todos os requisitos esperados de uma janela térmica", disse à Lusa um dos autores do estudo, Denis Andrade, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), de São Paulo (Brasil).

Este aspecto funcional do bico tinha passado completamente despercebido aos cientistas, que até agora centravam a sua atenção noutras funções, como o facto de o tucano intimidar outros animais, atrair companheiros, apanhar frutos em locais de difícil acesso ou predar ninhos.

"É surpreendente como algo tão óbvio, retrospectivamente, tenha permanecido sem ser notado por tempo tão longo", comentou o professor e investigador.

Na sua perspectiva, "a relevância central do trabalho consiste na demonstração de que a troca de calor através do bico parece ser algo de relevante na ecologia, anatomia e evolução das aves, em particular das de bico avantajado como é o caso do tucano". O seu bico forma cerca de um terço do seu comprimento total e é o mais longo em relação ao tamanho do corpo entre todas as aves.

Denis Andrade e Augusto Abe, seu colega no Departamento de Zoologia da UNESP, e Glenn Tattersall, da Brock University de Ontário (Canadá), observaram os bicos de tucanos-toco (os maiores e mais populares entre as várias espécies de tucanos) com câmaras termo-sensíveis infravermelhas enquanto os pássaros eram expostos a diferentes temperaturas e ambientes.   

Os investigadores constataram que a temperatura da superfície do bico mudava rapidamente conforme o ambiente aquecia ou arrefecia, sendo que ao pôr-do-sol, por exemplo, enquanto os pássaros se preparavam para dormir, os bicos arrefeciam cerca de 10 graus Celsius em poucos minutos.

Segundo Augusto Abe, os resultados demonstraram claramente que os tucanos utilizam os bicos para aumentar ou diminuir a troca de calor com o ambiente.

"Quando a temperatura ambiente está baixa, o tucano diminui a circulação de sangue no bico para conservar o calor do corpo. Se a temperatura ambiente sobe, aumenta também o fluxo sanguíneo para o bico, o que ajuda na dissipação do calor", explicou.

Outra descoberta dos investigadores é que a capacidade destes pássaros usarem o bico como regulador da temperatura do corpo é diferente entre adultos e juvenis.

"Tucanos jovens, com o bico ainda não completamente desenvolvido, não exibem a mesma capacidade de utilizar o bico para regular a temperatura corpórea que observamos nas aves adultas", compara Denis Andrade.

Desconhece-se ainda se esta característica é exclusiva do tucano ou se é partilhada por outras espécies de aves.

"Temos algumas evidências que sugerem que o fenómeno esteja amplamente distribuído em diversas espécies de aves. Porém, devido à enorme área superficial do bico, esta via de troca de calor assume maior relevância nos tucanos", concluiu.   

O estudo foi realizado em 2005 e 2008, tendo começado no Parque Ecológico Municipal de Americana, a 125 quilómetros de São Paulo, onde estavam os tucanos estudados, e terminado no laboratório de Glenn Tattersall, especialista na obtenção de imagens em infravermelho e na aplicação desta tecnologia a estudos biológicos.