Histórico

Em 1973, o patriarca Laucídio Coelho, um grande homem, comprou 100.000 hectares da antiga Fazenda Bodoquena e os dividiu entre seus 12 filhos. Hélio Coelho ficou com 11.000 hectares, hoje transformados em 15.000 hectares.

Hélio é um médico que se especializou em San Francisco, na Califórnia, onde conheceu Cynthia, enfermeira de origem americana. Hélio e Cynthia se casaram e vieram morar em Campo Grande, MS. Ao avistar a Serra da Bodoquena, Hélio lembrou-se das colinas da cidade natal de Cynthia e resolveu homenagear sua esposa batizando a fazenda de Fazenda San Francisco.

O casal teve seis filhos. Roberto, o primogênito do casal, casou-se em 1975, e resolveu desenvolver a fazenda com tecnologia de ponta parcialmente adaptada para o gado enquanto outras áreas foram estudadas para o plantio do arroz.


As áreas alagadas da fazenda enriqueceram as fontes de alimento. Observando a rica cadeia alimentar dos canais de irrigação e do preparo do solo, o que atraiu aves e animais do Pantanal, Roberto e Beth abriram a fazenda para uma terceira atividade: o turismo, que tem dado muito certo!

 

Histórico da Familia Laucidio Coelho na região do Pantanal do Miranda

 

Meu avô, Laucidio Coelho, veio de MG em um carro de boi com cerca de 5 famílias para colonizar os campos da vacaria. Vinham tocando um rebanho de 20 a 30 cabeças de gado. Naquela época era um sertão veio largado de Deus, não tinha gente. Meu bisavô se estabeleceu na beira do córrego Bela Vista e foi multiplicando o gadinho que trouxeram de MG.

 

A fazenda que eles construíram tinha um moinho de farinha que fazia farinha de mandioca, farinha de milho, açúcar, rapadura, criava porco e foi a primeira escola em fazenda na região em MT. Escola fundada por Laucidio Coelho e quem dava aula eram as suas primeiras filhas, Eudeter e Adeilaide.

 

Laucidio Coelho fez uma sociedade com Zé Pereira e os maiores compradores de gado da região. Compraram gado desde a Amazônia até a Bolívia e Paraguai. Juntavam boiadas de mil bois e levavam em comitiva até Araçatuba onde vendiam para os invernistas que se dedicavam à engorda desses bois.

 

Enquanto isso foi comprando muitas fazendas no MT e enchendo de gado de qualidade que ia buscar junto aos importadores de Zebu. Na época as raças mais procuradas eram o Gir, Guzerá e Indubrazil. Só depois é que o Nelore foi se firmando. O Sr. Laucidio percebeu que a riqueza da pecuária estava toda indo para SP e reuniu cerca de 100 fazendeiros fundando o 1o frigorífico do MT que se chamava FRIMA. Assim MS deixou de exportar bois e passou a vender carne frigorificada para os grandes centros são-paulinos.

Todos os filhos da família Laucidio Coelho trabalhavam agregados a ele. Bancos imobiliárias, reflorestadoras, hotéis, cerâmicas, hospitais foram algumas das contribuições à economia do MT.

 

Hélio coelho, filho caçula, se formou medico no RJ e foi aperfeiçoar seus estudos nos Estados Unidos residindo no Hospital Golden Gate onde conheceu a enfermeira Cynthia e se casou. Logo em seguida nasceu Roberto, o primeiro filho dos 6 que o casal concebeu.

 

Hélio foi o ultimo filho a entrar nos negócios do Sr. Laucidio pois estava absorvido pela medicina e depois com a estruturação do  curso de medicina da UFMS. Quando se lançou a pecuária teve um olhar diferenciado pois compreendia a evolução do homem desde seu principio. Sabia que a genética podia fazer em prol da melhoria da qualidade do gado. Acreditava na tecnologia e quando presidiu a Associação dos Criadores do MS - ACRISSUL - convidou o pessoal do corpo técnico do recém fundado Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte - CNPGC EMBRAPA e patrocinava reuniões toda 2a feira com os fazendeiros com temas técnico seguido de um jantar e assim a pecuária do MS passou a ganhar uma palestra por semana sobre pastagens, mineralização, nutrição, zoonoses, manejo, enfim uma autentica escola de pecuária.

 

Tínhamos extensos rebanhos nelore e era uma luta para conseguir ganhos em produtividade. Logo ficou claro que a melhor solução era o cruzamento com raças taurinas. Muitos tipos e formas de cruzamentos foram tentados. O melhor resultado em produtividade e qualidade de carne foi obtido com o Montana que utiliza a multiplicação das raças mantendo sempre alta heterose.

 

Das importações feitas para a construção do Montana vieram dez raças adaptadas e destas dez a melhor de todas foi o Senepol.

 

Atualmente o sul do MS esta passando por um processo muito semelhante com o que aconteceu em tempos recentes com o Paraná com a entrada maciça da agricultura de soja, milho, cana e florestas plantadas. Na minha família não foi diferente das outras, migrou para outras atividades mais rentáveis restando somente a pecuária de alto valor agregado onde se produziam os animais que irão emprestar sua genética para as grandes fazendas produtoras de carne.

 

Na fase inicial do Senepol fomos buscar material genético em toda parte. Então passamos por uma etapa de avaliação deste material que coincidiu com o inicio do trabalho de Avaliação genética da Embrapa - o programa Geneplus.

 

Baseando-se nessas informações e na experiência adquirida pela Genética Aditiva estamos hoje identificando o Senepol melhorador. O sistema de produção da Fazenda San Francisco é predominantemente a pasto. Utilizamos de fertilização in vitro e transferência de embriões em tempo fixo para multiplicar os expoentes genéticos já detectados. Após três ciclos reprodutivos de cada femea doadora, portanto coincidindo com a entrada de suas filhas no plantel, ofertamos estas fêmeas no mercado pois passamos a produzir com as suas filhas.

 Nossa produção de bezerros machos se junta à de outros produtores e é feita a Prova de Avaliação de Desempenho a Pasto - o PADS. Na prova de 2015 incluirá tambem a avaliação de eficiencia alimentar que inidicará um coeficiente padrão para a raça.  

Nossos animais são criados em condições extremamente quentes, a 100m acima do nível do mar, nascidos e criados no Pantanal do MS. As linhagens que originaram este animais são CN e WC. Das duas linhagens principais que originaram o Senepol no Caribe, o CN e WC, houveram múltiplas variações, algumas tendendo mais para a carne e outras para o leite.

O nosso sistema de seleção premia os animais que tiveram melhor aleitamento, ou seja, mães mais leiteiras. Nosso olhar sobre o Senepol sempre foi sobre a fêmea que expresse feminilidade e longa vida reprodutiva, caráter mocho, docilidade e produza bezerros que nasçam pequenos e pesem muito na desmama. A pecuária brasileira do século 21 não deixa mais o gado passar fome e embora seja possível suplementar o rebanho com grãos desde a mais tenra idade não podemos esquecer que mais de 80% da carne produzida no Brasil e exclusivamente a pasto.

 

Texto escrito por Roberto F Coelho no Proncor dia 17/02/2015.